Maritacas fazendo barulho de manhã: por que elas gritam tanto

Maritacas fazem barulho porque vivem em bando e se comunicam o tempo todo com chamados fortes, que ajudam cada ave a ser reconhecida no meio do grupo. Elas dormem juntas em árvores e saem por volta do nascer do sol, por isso o barulho se concentra cedo e no fim da tarde. Janela bem vedada ajuda a dormir mais.
Em resumo
- "Maritaca" é o nome popular de vários papagaios pequenos e verdes que vivem em São Paulo.
- Elas vivem em bando e usam chamados fortes para se reconhecer no meio do grupo.
- Dormem juntas em árvores, como palmeiras, e saem por volta do nascer do sol.
- As árvores da cidade dão a elas comida e lugar para dormir: o barulho é sinal de cidade com verde.
- Por ser agudo, o grito das maritacas é dos sons mais fáceis de segurar com uma janela bem vedada.
Primeiro vem um grito. Depois outro, respondendo. Em segundos, a árvore em frente ao prédio vira uma arquibancada em dia de clássico: “criii-criii-criii”, de todos os lados, enquanto um bando verde passa rente às janelas. Você olha o relógio. Ainda falta uma hora para o despertador.
Quem mora perto de praça, parque ou rua arborizada em São Paulo conhece bem esse “bom-dia”. As maritacas são lindas, espertas e, convenhamos, nada discretas. A seguir, a gente explica quem são elas, por que gritam tanto, por que o horário é sempre o mesmo e o que ajuda a dormir um pouco mais.
Que ave é a maritaca de São Paulo?
“Maritaca” é como muita gente chama os papagaios pequenos e verdes que andam em bando pela cidade, e o nome acaba valendo para mais de uma espécie.

Uma pesquisa de mestrado da Unesp, feita em vários distritos da capital, registrou doze espécies de psitacídeos, a família dos papagaios, periquitos e maritacas. Entre elas estão o periquitão-maracanã, a maitaca-verde, o periquito-rico e a maracanã-pequena. Num dos dormitórios estudados, no Butantã, o vigia mais antigo do local contou que as “maritacas” já viviam ali havia mais de duas décadas. As aves que ele chamava assim eram maracanãs-pequenas.
Ou seja: se você ouve um bando verde e barulhento, pode ser uma ou outra espécie. Para quem está tentando dormir, faz pouca diferença. O comportamento que importa aqui é parecido: bando grande, voz forte e horário certo.
Por que as maritacas gritam tanto?
As maritacas gritam tanto porque vivem em bando e se comunicam o tempo todo com chamados fortes, que ajudam cada ave a ser reconhecida no meio do grupo.

Pesquisadores do Instituto Max Planck de Comportamento Animal, na Alemanha, estudam um parente sul-americano das maritacas, o periquito-monge. Eles contam que essas aves vivem em grupos grandes, que mudam de composição o tempo todo, e usam o chamado de contato para anunciar quem são. Num bando muito barulhento, cada ave precisa ser reconhecida pela voz.
Agora imagine dezenas de aves fazendo isso ao mesmo tempo, todas animadas porque o dia começou e é hora de procurar comida. O resultado é aquele coro que atravessa o vidro da janela. Não é briga nem alarme: é o jeito delas de manter o grupo junto.
Por que as maritacas aparecem sempre tão cedo e no fim da tarde?
As maritacas aparecem cedo e no fim da tarde porque dormem juntas em árvores e seguem um horário bem marcado: saem ao nascer do sol para comer e voltam antes do anoitecer.
Na mesma pesquisa da Unesp, as aves foram contadas nos dormitórios coletivos do Butantã e do Ipiranga, onde vários bandos se reúnem para passar a noite, principalmente em palmeiras. Os bandos deixavam os dormitórios entre 20 minutos antes e meia hora depois do nascer do sol. E voltavam no fim da tarde, quase sempre antes do pôr do sol e sempre antes de escurecer.

Por isso o barulho tem hora marcada. Se a sua janela fica no caminho entre o dormitório e as árvores onde elas comem, você ganha dois shows por dia: um para acordar e outro para o fim do expediente. E, como o nascer do sol muda ao longo do ano, o “despertador verde” também muda: no verão, ele toca ainda mais cedo.
Por que as maritacas se deram tão bem na cidade?
As maritacas se deram bem na cidade porque as árvores de ruas, praças e parques oferecem comida, lugar para dormir e lugar para fazer ninho.

A pesquisa da Unesp aponta que a arborização das ruas de São Paulo, plantada em grande parte até a década de 1970, passou a fornecer alimento, pouso e ninho para as aves. Frutos, sementes, flores e palmeiras viraram um cardápio farto. A Prefeitura até batizou de Bosque das Maritacas o primeiro espaço de conservação urbana da cidade, perto do Parque Dom Pedro II, no centro.
Visto por esse lado, o barulho é sinal de uma coisa boa: uma cidade com árvores suficientes para abrigar bandos inteiros. O sabiá, que também canta cedo, é outro morador famoso desse verde: a história dele está em sabiá cantando de madrugada.
Dá para fazer alguma coisa com as maritacas?
Com as maritacas, o melhor é não fazer nada: nada de espantar, de mexer em ninhos ou de oferecer comida, porque são aves silvestres e o bando escolhe o lugar pelas árvores.
Alimentar parece gentil, mas acostuma o bando a voltar sempre ao mesmo ponto, e aí o barulho fica ainda mais perto da sua janela e da dos vizinhos. Espantar também não adianta: as árvores continuam ali, e o bando volta. A solução que está nas suas mãos fica do lado de dentro de casa.
Como dormir até mais tarde com as maritacas passando?
Para dormir até mais tarde, o que mais ajuda é afastar a cama do lado das árvores, usar protetor auricular nas manhãs piores e manter a janela do quarto bem fechada e sem frestas.
| O que ajuda | Em quê | Onde para |
|---|---|---|
| Dormir no cômodo do outro lado | Afasta você do bando | Nem toda casa tem essa opção |
| Protetor auricular | Abafa os gritos da manhã | Precisa ser usado todo dia |
| Cortina grossa | Segura a claridade do amanhecer | Quase não segura o som |
| Fechar e vedar a janela | Corta o caminho mais fácil do som | A janela comum deixa o agudo passar pelas frestas |
| Janela acústica no quarto | Trata o caminho principal do som | Pede análise do ruído e fabricação sob medida |

Perder a última hora de sono todo dia cobra o seu preço, e muita gente nem liga o cansaço ao barulho da manhã. Se esse é o seu caso, vale ler acorda cansado mesmo dormindo 8 horas?. E, para quem trabalha à noite e precisa dormir justamente quando o bando está mais animado, há dicas em como dormir de dia com o barulho da cidade.
A janela segura o grito das maritacas?
A janela segura boa parte do grito das maritacas, porque ele é agudo e chega pelo ar, e vidros e paredes costumam isolar melhor os sons agudos do que os graves.
Pesquisadores do Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá explicam que o isolamento de paredes e vidros costuma aumentar com a frequência do som. O “criii” das maritacas, fino e estridente, é mais fácil de barrar do que o ronco grave de um ônibus. Os mesmos pesquisadores lembram que furos e frestas abrem caminho para o som, e por isso a vedação pesa tanto quanto o vidro.
Não espere um quarto mudo: a ideia é que a gritaria da manhã chegue abafada, como se o bando tivesse mudado para a quadra de trás. Para outros barulhos que entram pela janela, o guia completo está em como reduzir o barulho da rua.
Como a Express Acústica ajuda quem acorda com o barulho de fora?
A Express Acústica, fabricante de janelas e portas acústicas sob medida em São Paulo, analisa o ruído que chega ao seu quarto antes de fabricar e escolhe a composição dos vidros para o tipo de barulho de cada casa.
A fabricação é própria e a equipe tem mais de 15 anos de experiência. Os vidros são insulados, com câmara de ar desidratado, e podem levar laminado de segurança, com dois vidros de 3 mm e uma película de PVB entre eles.
A janela sobreposta é instalada pelo lado de dentro, sobre a janela que você já tem, sem obra na alvenaria e sem mudar a fachada, com uma saliência de 4 a 8 cm no ambiente. Em reforma, a janela de embutir entra no lugar da original. A instalação é rápida e eficiente, a garantia é de 5 anos e o orçamento é gratuito. Conheça as janelas antirruído da Express Acústica.
No fim, todo mundo sai ganhando: as maritacas seguem fazendo a festa delas na árvore, e você só ouve o bando quando abre a janela, já de café na mão.
Perguntas frequentes
Moro em apartamento perto de uma praça e as maritacas me acordam todo dia. Por que tão cedo?
Porque elas costumam dormir juntas em árvores e saem por volta do nascer do sol, todas ao mesmo tempo e chamando umas às outras. Pesquisadores da Unesp registraram bandos deixando os dormitórios entre 20 minutos antes e meia hora depois de o sol nascer. Se a sua praça é um desses pontos de encontro, o despertador verde vem de brinde.
Posso espantar as maritacas da árvore em frente de casa?
Não é o caminho. As maritacas são aves silvestres e fazem parte da vida da cidade, e espantá-las não resolve, porque o bando escolhe o lugar pelas árvores. A solução que está nas suas mãos fica do lado de dentro, na janela do quarto.
Dar comida para as maritacas faz mal?
O melhor é não alimentar. Comida oferecida em casa acostuma o bando a voltar sempre ao mesmo lugar, o que aumenta o barulho perto da sua janela e da dos vizinhos. As árvores da cidade já oferecem o que elas precisam.
Por que as maritacas voltam fazendo barulho no fim da tarde?
Porque é a hora de ir para o dormitório. Os bandos se reúnem e chegam às árvores onde passam a noite, quase sempre antes do pôr do sol, chamando umas às outras pelo caminho. Quando já está escuro, o grupo costuma sossegar.
Janela acústica segura o barulho das maritacas?
Segura boa parte. O grito das maritacas é agudo e chega pelo ar, e vidros e paredes costumam isolar melhor os sons agudos do que os graves. A vedação sem frestas conta tanto quanto o vidro.
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Fontes
- Ecologia de um psitacídeo introduzido em ambiente urbano (dissertação de mestrado, 2017), Raquel Colombo Oliveira, Instituto de Biociências da Unesp, câmpus de Rio Claro. Acesso em 05/11/2026.
- Evidence found for unique voice print in parrots (27 de setembro de 2023), Instituto Max Planck de Comportamento Animal (Alemanha). Acesso em 05/11/2026.
- Bosque das Maritacas: o primeiro espaço de conservação urbana da Cidade (25 de setembro de 2019), Subprefeitura Sé, Prefeitura de São Paulo. Acesso em 05/11/2026.
- Introduction to Building Acoustics (Canadian Building Digest CBD-236), A. C. C. Warnock, National Research Council Canada (cópia hospedada pelo MIT). Acesso em 05/11/2026.



